SEIS SONETOS 

Página Maria Granzoto da Silva
granzoto@globo.com 


"Uma cidade sem memória cultural é uma cidade sem futuro histórico"

do livro Almas Raras ed ArtCulturalBrasil/2007


DESENCONTRO
José Antonio Jacob

Vivíamos em plena sintonia
Dos sentimentos leves e saudáveis.
Éramos jovens almas agradáveis
De afeto, de carinho e de alegria.

A paz intimamente nos sorria
Em saudações contínuas e amigáveis;
Os dias alongavam-se amoráveis,
Corria o tempo e a vida decorria.

Na ingenuidade dos adolescentes
Jamais soubemos da desesperança
Das trilhas, de um desvio repentino.

Depois seguimos rumos diferentes:
Eu regressei na estrada da lembrança
E ela seguiu nos braços do destino.

Rio de Janeiro, junho de 1981


IDEIAS
José Antonio Jacob

Espírito de tantas aventuras
Cintilas entre as coisas distraídas
Para iludir humanamente as vidas
Que por acaso estão noutras alturas.

De onde procedes e o que então procuras,
Dentre as inesperadas investidas,
Que aparecem em horas retraídas
E que razão por fim nos asseguras?

Deste-me, em parte, a herança das quimeras,
A lucidez das almas sensitivas
E a solidão das gerações ateias.

Pelo longínquo azul de outras esferas
Sigo, vagando em tardes pensativas,
No voo inatingível das ideias...

Juiz de Fora, maio de 1982


PAISAGEM
José Antonio Jacob

Resiste ao tempo, embora amarelada,
Uma paisagem de moldura rosa.
Decerto uma pintura afetuosa
Que alguma alma, suave e descuidada,

Deixou de lado. A mágoa pendurada
Na estampa, é a imagem muda e dolorosa
De uma vida que foi desventurosa
Impressa numa tela desbotada.

Um dia, nesse quadro descorado,
Entrei inteiro em busca do passado
Para entender a sua realidade.

E, no silêncio antigo das aldeias,
Nessas paragens que me são alheias
Rocei a face triste da Saudade.

Conceição do Castelo -ES, abril de 1983


ALMAS RARAS
José Antonio Jacob

As almas simples são as almas raras
De luz intensa e a projeção pequena,
Que nos circundam de maneira amena:
Como são nobres essas almas caras!

São os espíritos das outras searas,
Que pela vida passam numa plena
E esplêndida energização serena
De um vento pastoreando as nuvens claras.

O tempo passa, o tempo que não dorme,
E a vida andando, tarde sobre tarde,
Sem demover essa humildade enorme.

Gosto demais dessas criaturas boas
Que passam pela vida sem alarde:
Como nos fazem bem essas pessoas!

Juiz de Fora, junho de 1983


DESENGANOS
José Antonio Jacob

Vai longe, na memória da distância,
Mesmo assim achegou-me uma vontade
De reaver meus petrechos de saudade
Nos verdes arraiais da minha infância.

Devagar fui perdendo com a idade
O tom das cores e o éter da fragrância
Das flores que ficaram nessa estância
Que é o meu canteiro bom da mocidade.

É que eu saí da roça e andei descrente,
E lá deixei a última semente
Dos sonhos... ao verdejo dos quintais...

Depois, no decorrer dos desenganos,
Retrocedi no tempo muitos anos,
Mas não achei meus sonhos nunca mais.

Alegre -ES, janeiro de 1986


ALEGORIA
José Antonio Jacob

A esplêndida aquarela que te anima
E a luminosidade que ora emanas
Refletem a beleza cristalina
Das mais sutis fascinações humanas.

Essa energia intensa que ilumina
As tuas formas, santas e profanas,
É a mesma luz, helênica e divina,
Das divindades gregas e romanas.

Nessa tranqüila e eterna alegoria
Reluz em ti toda a mitologia
Das gerações longínquas e imortais.

Ainda assim é maior o teu encanto,
Pois, sendo deusa eu te venero tanto,
Fosses humana eu te amaria mais!

Juiz de Fora, setembro de 1988



O Livro
Índice do Poesia de Bolso

Páginas


Sonetos

7/ Desenho (Comentado)
8/ Sonho de Papel (Comentado)
9/ Florzinha (Comentado)
10/ Impulsão (Comentado)
11/ Bolhas de Sabão (Comentado)
12/ Fim de Jornada (Comentado)
15/ Afronta Impiedosa (Comentado)
19/ Sonhando (Comentado)
23/ Quanto Tempo nos Resta? (Comentado)
29/ O Espelho
30/ O Palhaço (Comentado)
33/ O Beijo de Jesus (Comentado)
35/ Natal dos meus Sonhos (Comentado)
41/ Crença
46/ Jardim sem Flores (Comentado)
47/ Mudança
48/ O Vira-lata (Comentado)
51/ Repouso no Sítio (Comentado)
52/ Tédio
57/ Falsidade
58/ Renascer
63/ Sublimação (Comentado)
64/ Solidão (Comentado)
75/ Brinquedo
76/ Alegoria
78/ Angústia
88/ Páscoa
93 Restou uma Poesia

Quadra
95/ Veritas (Comentado)

Sextilhas
96/ Delírios de Maio (Comentado)
102/ Natal na Rua da Miséria (Comentado)



ESPECIAIS JOSÉ ANTONIO JACOB



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(Magnífica declamação do artista português José Bento)

O Sono de Pensar
(Poema em versos livres)

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AVSPE José Antonio Jacob
Homenagem da poetisa Tere Penhabe
(Acróstico Poético)
(Apresentação de Maria Granzoto da Silva)

Resposta ao Passado
(Especial ArtCulturalBrasil)

Mémória de Bibelô
(especial ArtCulturalBrasil)

Além da Porta
(Vídeo de Dorival Campanelle)



TRAILER JOSÉ ANTONIO JACOB

Trailer 1